A Inteligência Artificial pode ameaçar o Booking.com e Airbnb?

miguel Digital Natives Portugal | Digital & Content Marketing

A revolução digital tem um novo protagonista: a Inteligência Artificial. Se há uns anos falávamos da transformação que plataformas como Booking, TripAdvisor e Airbnb trouxeram ao setor do turismo, hoje o cenário é outro. Ferramentas como o ChatGPT, DeepSeek e outras IAs generativas podem vir a eliminar ou, pelo menos, causar estragos nestes gigantes do mercado.

A questão é: será que as empresas turísticas estão preparadas para esta mudança?

Do intermediário à pesquisa direta

Durante anos, a jornada do viajante passou, inevitavelmente, por motores de busca e plataformas de reservas. Queríamos marcar um hotel? Booking. Queríamos opiniões sobre um restaurante? TripAdvisor. Queríamos encontrar o voo mais barato? Skyscanner. Mas a IA veio alterar o jogo.

Hoje, qualquer viajante pode perguntar diretamente a um chatbot avançado quais são os melhores destinos para viajar em abril, quais os hotéis mais baratos em São Miguel ou onde encontrar passeios turísticos com melhor custo-benefício. Em segundos, recebe respostas personalizadas, otimizadas e atualizadas, sem necessidade de abrir dez separadores no Google ou saltar entre diferentes sites.

A grande vantagem? A IA não tem preferência comercial. Enquanto as plataformas de reservas muitas vezes promovem serviços que pagam comissões mais altas, uma IA bem treinada baseia-se apenas na qualidade e relevância da informação. Isto significa que empresas que dependem fortemente de intermediários podem perder visibilidade para concorrentes menores, mas com boa presença online.

O que muda para as empresas turísticas?

A mudança já começou. E, como em qualquer revolução tecnológica, há dois tipos de empresários: os que se preparam e os que ficam para trás. Com a IA a ganhar relevância na busca por viagens, a forma como empresas turísticas estruturam a sua presença digital torna-se mais importante do que nunca.

1. A importância de um website otimizado e atualizado

Se antes a presença no Booking e no TripAdvisor bastava para garantir reservas, agora os empresários precisam de garantir que os seus próprios sites aparecem nas pesquisas das IAs. Isto implica:

• Um site atualizado, rápido e responsivo;

• Informações detalhadas e bem estruturadas sobre os serviços oferecidos;

• Estratégia de SEO eficiente, com palavras-chave bem trabalhadas;

• Conteúdos otimizados para IA, garantindo que os chatbots consigam interpretar e recomendar os serviços corretamente.

2. O fim das comissões e a valorização da reserva direta

Plataformas como Booking cobram comissões que podem ultrapassar os 20% por cada reserva. Mas se um viajante puder pesquisar diretamente através de um assistente de IA e ser direcionado ao site oficial de um hotel ou operador turístico, os empresários podem evitar esses custos e aumentar a rentabilidade.

A questão é simples: quem tiver um site bem estruturado e preparado para este novo modelo digital tem tudo para ganhar mais, sem depender dos intermediários que dominam o mercado há anos.

3. Redes sociais e presença digital são mais importantes do que nunca

A IA não só faz pesquisas diretas como também analisa padrões de comportamento dos utilizadores. Se um hotel ou empresa turística tem boas avaliações, presença ativa no Instagram, TikTok e outras redes, e um volume elevado de interações, é mais provável que seja recomendado nas pesquisas feitas pelos viajantes através da IA.

A prova disto? Hoje já vemos restaurantes e hotéis viralizarem no TikTok e Instagram, tornando-se destinos obrigatórios sem precisar de anúncios pagos. Se um viajante perguntar a uma IA onde comer sushi em Ponta Delgada, a resposta será baseada na reputação digital do restaurante, e não apenas na sua posição em sites como o TripAdvisor.

A longo prazo, o Booking e o TripAdvisor vão desaparecer?

É pouco provável que desapareçam completamente. Mas a longo prazo, é inevitável que percam relevância entre os utilizadores mais jovens, como os Millennials e a Geração Z. Esta nova geração já tem menos paciência para navegar entre múltiplos sites e tende a confiar mais em recomendações diretas e personalizadas.

Hoje, perguntamos ao ChatGPT onde ficar hospedado em Lisboa. Amanhã, podemos pedir-lhe para reservar automaticamente o melhor hotel com base nas nossas preferências e orçamento. O caminho já está a ser traçado, e quem não se adaptar pode perder espaço.

Conclusão: uma nova era para o turismo digital

O turismo está prestes a entrar numa nova fase, onde a IA se torna o principal motor de decisão dos viajantes. Empresas que se adaptarem a este cenário terão a oportunidade de reduzir a dependência de plataformas de reservas e aumentar a sua margem de lucro. O segredo? Um website otimizado, um SEO bem estruturado e uma presença digital forte.

No final do dia, a IA não vai decidir o futuro das empresas turísticas, os próprios empresários é que vão.

A pergunta que fica é: está preparado para esta mudança?

Boas reservas!