O novo SEO do turismo: como aparecer nas respostas do ChatGPT, Gemini e outras Ias

Durante muitos anos, quando queríamos escolher um hotel, um restaurante ou perceber o que fazer num destino, o processo era relativamente simples.

Íamos ao Google.

Pesquisávamos “melhores restaurantes em São Miguel”, “hotel com spa nos Açores” ou “o que fazer em Lisboa durante três dias”.

Depois abríamos vários resultados, comparávamos páginas, víamos reviews e tomávamos uma decisão.

Esse comportamento não desapareceu. Mas está a mudar.

Hoje, cada vez mais pessoas fazem uma pergunta diferente:

“Vou quatro dias aos Açores, gosto de natureza, boa gastronomia e não quero gastar mais de 150 euros por noite. Onde devo ficar e o que devo fazer?”

E esperam que uma inteligência artificial faça grande parte do trabalho por elas. É aqui que começa aquilo a que gosto de chamar o novo SEO do turismo.

1. De aparecer numa pesquisa para aparecer numa resposta

Durante anos, trabalhar SEO significava essencialmente conseguir colocar um website numa boa posição nos motores de pesquisa. Quanto melhor fosse o posicionamento, maior a probabilidade de alguém entrar no website.

Agora existe uma nova camada.

O turista pode fazer uma pergunta ao ChatGPT, Gemini ou a outro assistente e receber diretamente uma resposta estruturada com destinos, hotéis, restaurantes, experiências e recomendações.

Ou seja, uma empresa pode continuar perfeitamente posicionada no Google tradicional e, ainda assim, não fazer parte da resposta que uma inteligência artificial apresenta ao utilizador.

O desafio começa a deixar de ser apenas:

“Como apareço na primeira página?”

E passa também a ser:

“Como faço para ser uma das fontes utilizadas para construir a resposta?”

2. O SEO não morreu. Ficou mais complexo.

É importante esclarecer isto porque existe atualmente alguma tendência para anunciar a morte de praticamente tudo sempre que surge uma tecnologia nova. O SEO continua a ser importante. Na realidade, torna-se ainda mais importante.

As inteligências artificiais precisam de informação para construir respostas. Precisam de encontrar, interpretar e comparar informação existente online. Um website tecnicamente bem construído, com páginas indexáveis, informação clara, conteúdos relevantes e uma estrutura compreensível continua a ter uma vantagem.

A diferença é que já não devemos escrever apenas a pensar numa pesquisa de duas ou três palavras.

Temos também de pensar nas perguntas completas que um turista poderá fazer.

Por exemplo:
“Qual é o melhor hotel nos Açores para um casal que procura natureza e tranquilidade?”

“Que restaurantes em Ponta Delgada têm cozinha açoriana mas uma abordagem contemporânea?”

“Consigo visitar São Miguel sem alugar carro?”

São perguntas muito mais específicas.

E são precisamente este género de perguntas que as inteligências artificiais conseguem trabalhar particularmente bem.

3. No turismo, isto pode mudar completamente a decisão de compra

Esta transformação é especialmente importante no turismo porque poucas decisões têm tantas variáveis.

Preço.
Localização.
Meteorologia.
Experiências.
Transportes.
Restaurantes.
Horários.
Reviews.
Preferências pessoais.

Durante anos, era o turista que tinha de juntar todas estas peças.

Agora pode existir uma ferramenta que faz esse trabalho por ele.

O Google já está a integrar cada vez mais funcionalidades de inteligência artificial no planeamento de viagens, desde comparação de hotéis e voos até à criação de itinerários
personalizados. O Gemini consegue igualmente utilizar informação sobre voos e hotéis para ajudar a construir uma viagem.

E esta tendência só deverá acelerar. No futuro próximo, talvez deixemos de pesquisar individualmente dez hotéis. Podemos simplesmente pedir:

“Encontra-me um hotel para quatro noites, perto do centro, com pequeno-almoço, estacionamento e boas avaliações, dentro deste orçamento.”

A inteligência artificial fará o primeiro filtro. Para um hotel, isso significa uma coisa muito simples: é preciso conseguir entrar nesse filtro.

4. Então como pode uma empresa turística aparecer?

Não existe um botão chamado “colocar o meu hotel no ChatGPT”. E provavelmente ainda bem. Existe, sim, um conjunto de boas práticas que começa a tornar-se cada vez mais relevante.

A primeira é talvez a mais básica: ter informação clara e atualizada online.

Horários.
Localização.
Preços quando aplicável.
Serviços.
Características dos quartos.
Menus.
Experiências.
Perguntas frequentes.
Políticas.

Quanto mais difícil for compreender uma empresa através do seu próprio website, mais difícil será também para sistemas automáticos compreenderem exatamente aquilo que essa empresa oferece.

Depois existe o conteúdo.

Um hotel não deveria ter apenas uma página chamada “Quartos”. Pode explicar para quem são esses quartos. Um restaurante não deveria ter apenas o menu. Pode explicar a sua cozinha, os produtores com quem trabalha e aquilo que o diferencia.

Uma empresa de animação turística pode explicar detalhadamente cada experiência, duração, nível de dificuldade, localização, época recomendada e tipo de visitante para quem é indicada.

É informação útil para pessoas.

E precisamente por isso também se torna informação útil para máquinas.

5. O conteúdo genérico vai valer cada vez menos

Aqui existe outra mudança que considero importante. Durante anos produziu-se muito conteúdo apenas porque “era bom para SEO”. Artigos gigantes sobre temas onde praticamente todos os websites diziam exatamente a mesma coisa.

Com inteligências artificiais capazes de resumir centenas de páginas rapidamente, o valor desse conteúdo genérico diminui.

As marcas vão precisar de acrescentar informação que realmente conhecem.Um hotel nos Açores sabe coisas sobre a sua localização que um artigo genérico escrito a milhares de quilómetros não sabe.

Um restaurante conhece os seus produtos.
Um guia conhece os trilhos.
Uma empresa marítimo-turística conhece o oceano.
É esse conhecimento próprio que deve passar para o digital. Porque quanto mais única for a informação, mais difícil é substituí-la.

6. Reviews e reputação digital tornam-se ainda mais importantes

Existe também uma parte que as empresas não controlam totalmente. Aquilo que os outros dizem sobre elas.

Google Business Profile, plataformas de reservas, notícias, blogs, vídeos, redes sociais, influenciadores e avaliações de clientes formam uma identidade digital muito maior do que aquilo que existe dentro do website oficial.

Se uma empresa diz que oferece uma experiência fantástica mas dezenas de clientes dizem o contrário, existe uma inconsistência.

Por outro lado, quando website, reviews, artigos e presença digital contam todos uma história semelhante, existe uma marca muito mais sólida.

No turismo, reputação sempre foi importante.

Num mundo onde sistemas conseguem cruzar enormes quantidades de informação rapidamente, provavelmente será ainda mais.

7. Não podemos esquecer as imagens e o vídeo

Quando pensamos em SEO, pensamos quase imediatamente em texto. No turismo isso seria um erro. Estamos a falar de um setor visual.

Um hotel vende quartos antes de alguém dormir neles. Um restaurante vende pratos antes de alguém os provar.
Um destino vende paisagens antes de alguém lá chegar.

A pesquisa está também a tornar-se cada vez mais visual e multimodal.

Isto significa que fotografias próprias, vídeos, conteúdos verticais, imagens corretamente identificadas e uma presença visual consistente deixam de servir apenas as redes sociais. Passam a fazer parte da forma como uma marca pode ser descoberta.

8. Talvez o futuro do SEO seja responder melhor

Podemos inventar novos nomes.
GEO.
AEO.
Generative Engine Optimization.
AI Search Optimization.
Provavelmente ainda vamos ouvir muitos outros.

Mas talvez estejamos a complicar uma ideia relativamente simples. Durante anos perguntámos:

“O que é que as pessoas pesquisam?”

Agora teremos também de perguntar:

“O que é que as pessoas perguntam?”

E depois criar a melhor resposta possível.

Para hotéis, restaurantes e empresas turísticas, isto significa conhecer profundamente o seu cliente e transformar esse conhecimento em informação disponível online.

Conclusão

Há alguns anos, uma empresa que não estivesse no Google praticamente não existia para muitos turistas.

Nos próximos anos poderá acontecer algo semelhante com as inteligências artificiais. Quando alguém perguntar onde dormir, onde comer ou o que visitar, haverá marcas que aparecem na resposta e outras que simplesmente ficam de fora.

O SEO não desapareceu.

Está apenas a evoluir de uma disputa por posições para uma disputa por relevância.

E no turismo, onde uma recomendação pode terminar imediatamente numa reserva, vale a pena começar a preparar essa presença agora.

Porque talvez a pergunta mais importante do marketing turístico nos próximos anos deixe de ser:

“Em que posição aparecemos no Google?”

E passe a ser:

“Quando alguém pergunta à inteligência artificial onde deve ir, será que ela fala de nós?”
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